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28 de outubro de 2010

Polidez

A polidez pode ser considerada a primeira virtude e a origem de todas porque pode ser ensinada à criança antes dela ser capaz de aprender a moral. Antes de aprender o que é ético, a criança aprende o que “é feio” e “errado”. Portanto na mais tenra idade já pode aprender a ser gentil. Kant afirmou “que o homem só pode tornar-se homem pela educação”. É a disciplina que humaniza o homem.

“A polidez”, observava La Bruyère, “nem sempre inspira a bondade, a eqüidade, a complacência, a gratidão; pelo menos dá uma aparência disso e faz o homem parecer por fora como deveria ser por dentro.”
“Portanto, a polidez não é uma virtude, mas como que o simulacro que a imita (nos adultos) ou que a prepara (nas crianças).

O saber-viver não é a vida; a polidez não é a moral. Mas não quer dizer que não seja nada. A polidez é uma pequena coisa, que prepara grandes coisas. É um ritual, mas sem Deus; um cerimonial, mas sem culto; uma etiqueta, mas sem monarca. Forma vazia, que só vale por esse próprio vazio. Uma polidez cheia de si, uma polidez que se leva a sério, uma polidez que crê em si é uma polidez iludida por suas maneiras e que falta, por isso, às regras que ela mesma prescreve. A polidez não é suficiente, e é impolido ser suficiente.”

Fonte: “Pequeno tratado das grandes virtudes” Andre Comte-Sponville

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