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6 de outubro de 2010

Sexo e amor

Recentemente relendo a historia de Freddie Mercury me vi às voltas com uma questão intrigante de sua biografia: a sua relação com Mary Austin.
Pra quem não conhece a historia, Freddie e Mary se conheceram em 1974 e se tornaram namorados. Em pouco tempo foram viver juntos e assim permaneceram por 6 anos. Ela esteve presente em todo o inicio/formação da banda Queen. O relacionamento acabou quando Freddie revelou que era bissexual. Aqui já começa a minha reflexão: qualquer mulher comum se sentiria no mínimo humilhada e procuraria distância deste homem; mas embora tenha ido viver sua vida Mary sempre manteve os laços de amizade com Freddie estando presente ao seu lado ate o fim da vida dele em 1991. Freddie por outro lado, mesmo tendo diversos parceiros ao longo da sua vida, deu varias declarações dizendo que o amor da vida dele (Love of my life foi escrita pra ela) era ela. A prova disso é que foi ela quem herdou a mansão em que ele vivia em Londres a qual ele deixou em testamento pra ela. Aqui temos outra situação intrigante: se ele a amava porque não se satisfazia sexualmente com ela?
Claro que este texto não pretende dar explicações pra algo que parece ser mesmo inexplicável. O que pretendo é levantar algumas reflexões a respeito das varias faces do amor. O que mais me chama atenção é que embora vários aspectos desta relação estejam longe do propósito divino para uma relação, este amor que os unia se aproxima muito do amor “ágape” descrito em I Corintios 13. (4-8a), pelo menos da parte dela:
“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece; não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta; O amor jamais acaba;”
O filosofo contemporâneo Andre Comte-Sponville dedica o ultimo capitulo do seu livro “Pequeno tratado das grandes virtudes” ao amor. Mesmo considerando uma virtude controversa já que segundo ele “não amamos o que queremos, mas o que desejamos”, o autor assume que o amor é sem duvida a maior das virtudes. Este é o maior capitulo do livro e por isso obviamente não pode ser esgotado em um artigo. Mas ele aponta as três faces do amor que podem nos dar subsídios para entender historias como a de Freddie Mercury e assim ampliar nosso horizonte sobre o amor.
Amor “Eros”: de acordo com Comte-Sponville este amor é um sonho inatingível de fusão entre dois corpos e o desejo por algo que lhe falta. É sem duvida o amor mais forte e a carência é sua essência. Ama-se o que não se tem e quando se tem se entedia. É o que chamamos de paixão.
Amor “Philia” é a alegria somada ao prazer (Spinoza). É amar pelo prazer de amar, sem sentir falta de nada, nem da presença ou da reciprocidade do outro. É regozijo, gratidão, força e leveza. É o que chamamos de amizade.
Amor “Ágape” é o amor divino que não é nem paixão, nem amizade; É o amor universal que ama desinteressadamente ate mesmo os inimigos e não precisa de justificativa para isso. É o amor que não usa a fraqueza do outro para afirmar sua força. Mas existe independentemente do valor do seu objeto. É o mais raro e o mais milagroso. É o que pode ser traduzido pobremente por caridade.
Voltando ao inicio do texto, como poderíamos entender esta relação entre Freddie e Mary? Qual face e/ou nível do amor não foi atingida? Ou será que a relação deles foi completa mesmo faltando alguma destas faces?
Como cristã sei que o amor perfeito vem de Deus e so alcançaremos a plenitude do amor vivendo Nele. Podemos então concluir que a falta da presença de Cristo limitou as possibilidades da relaçao de Freddie Mercury e Mary Austin. Mas é no minimo intrigante pensar que muitos casais chamados cristãos não conseguem desenvolver uma relação tão forte entre si!

Um comentário:

  1. As pessoas que formariam parcerias amorosas legais se encontram tão raramente que convém tentarmos saber quais são os inimigos do amor feliz.

    Jane, recebi neste momento no twitter essa frase do Flavio Gikovate, que por sinal esta fazendo o papel dele mesmo na novela das 8.

    O amor é tão complexo quanto certo Complexo que conhecemos.

    Abraçao para você e uma fantástica a semana.

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