Pesquisar este blog

12 de dezembro de 2010

A coragem

A coragem, como superação do medo, é uma característica marcante e valorizada por varias culturas em todos os tempos. Quem não idolatra o herói que é capaz de correr vários riscos pela mocinha? Entretanto, esta admiração universal não garante por si só o status de virtude nem à coragem e nem à outra característica humana. Alem disso, a coragem pode servir tanto para o bem quanto para o mal. Por isso, o que leva a coragem ao patamar de virtude para Comte-Sponville é o fato dela se colocar a serviço do outro de forma altruísta e generosa. Para tanto não se nega a existência do medo mas este é superado pela vontade altruísta de fazer o bem a quem dele necessitar.
Em suas próprias palavras: “O que estimamos, na coragem, e que culmina no sacrifício de si, seria, pois, em primeiro lugar, o risco aceito ou corrido sem motivação egoísta, em outras palavras, uma forma, se não sempre de altruísmo, pelo menos de desinteresse, de desprendimento, de distanciamento do eu”
“Já não é a coragem dos durões, é a coragem dos doces, e dos heróis.”
“Um deus não precisaria dela (da coragem). Nem um sábio, talvez, se só vivesse nos bens imortais ou eternos evocados por Epicuro ou Spinoza. Mas isso não é possível, e é por isso que, de novo, precisamos de coragem. Coragem para durar e agüentar, coragem para viver e para morrer, coragem para suportar, para combater, para enfrentar, para resistir, para perseverar… Spinoza chama de firmeza de alma (animositas) esse “desejo pelo qual cada um se esforça por conservar seu ser sob o exclusivo ditame da razão”. Mas a coragem está no desejo, não na razão; no esforço, não no ditame. Trata-se sempre de perseverar em seu ser (é o que Éluard chamará de “o duro desejo de durar”), e toda coragem é feita de vontade.”

Fonte: Pequeno tratado das grandes virtudes, Andre Comte-Sponville

Um comentário:

  1. É verdade... e no mundo atual, talvez, o que mais precisamos seja CORAGEM para continuar sempre!

    ResponderExcluir