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28 de julho de 2011

Celebrar a singularidade

Este texto é um fragmento do capitulo "Atitudes" do excelente livro de Ed Rene Kivitz, Vivendo com propósitos. Recomendo muito a leitura deste livro. Esta é a primeira atitude recomendada por ele para melhorar nossos relacionamentos. As outras atitudes serão postadas em breve!

"Singularidade. Essa é a palavra–chave da identidade humana. Cada pessoa é um universo em si mesma. Universo aberto, é verdade, mas ainda assim um universo. Cada um com sua história, suas peculiaridades, seus sonhos, suas idiossincrasias, isto é, suas disposições de temperamento, maneira de ver de sentir, de agir e de reagir. Cada um com seu gosto pessoal, suas disposições naturais e suas sensibilidades específicas. Essa é a riqueza da humanidade. Agostinho acreditava que Deus era capaz de "amar um como se fosse todos, e todos como se fossem um". Que mistério, pois, de fato uma pessoa é tudo, e todas juntas não valem mais do que uma só. Cada pessoa é uma riqueza plena. "Cada ser humano é uma novidade", e "todo ser humano é um original". Tomando isso como verdadeiro, a convivência que não sabe celebrar essa individualidade está fadada ao fracasso. A exigência da mudança de outro para que relacionamento seja mantido ou se torne satisfatório é a própria morte do relacionamento. É lógico. Caso eu exija que você mude para que eu continue me relacionando com você, na verdade não quero me relacionar com você, mas com outro você, idealizado em minha cabeça e mais conveniente às minhas necessidades.

Karl Lachler, meu professor no Seminário de Teologia, me ensinou que o ideal do casamento é que um mais um some um, mas que, em alguns casamentos, um mais um somam três ou quatro. A Bíblia ensina que "o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne", em que um mais um somam um. Mas quando alguém se une a uma mulher real e leva consigo, em sua imaginação, outra mulher ideal, um mais um somam três, e se a mulher faz a mesma coisa, um mais um somam quatro. Provavelmente, passarão a vida tentando mudar um ao outro, jamais celebrando o que são, uma vez ocupados em tornar cada um o outro no que gostariam que fossem. O convite primeiro de Deus é para nos tornarmos seus filhos amados. A declaração mais surpreendente de Deus a respeito de Jesus de Nazaré é: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo".4 O que surpreende não é a declaração, mas sim o momento em que foi proferida, a saber, antes mesmo de Jesus iniciar seu ministério terreno. Isso significa que o amor declarado não estava baseado na performance nem na utilidade de Jesus para o Pai. O amor de Deus é assim: celebra o que somos, independentemente do que fazemos ou do que deixamos de fazer. Mais ainda, o amor de Deus celebra o que somos, independentemente do que devemos ser justamente por ser capaz, de celebrar sem cobrar, o amor dá espaço para vir a ser.

A razão de exigirmos que as pessoas sejam, ou que se tornem, aquilo que queremos geralmente está associada á opinião dos outros a nosso respeito. O que vão dizer do pai que deixa o filho se lambuzar de chocolate e lamber os dedos? O que vão dizer de um marido que permite que a esposa o trate desse ou daquele jeito? O que vão pensar de mim quando souberem que eu não fiz nada em resposta àquela agressão? O que vão pensar daqueles marmanjos rindo porque lambuzaram a mesa? Não poucas vezes, exigimos demais das pessoas que amamos por causa das pessoas que não nos amam. A qualidade do amor está em amar o que é, não o que deve ser ou o que gostaríamos que fosse. O segredo por trás desse amor é que ele abre espaço para que aqueles que amamos – ainda que não sejam o que podem ou apesar do que venham a ser – justamente porque os amamos como são e apesar do que não são. Em síntese, quem ama não cobra. Celebra."

Vivendo com propósitos, Ed Rene Kivitz

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