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28 de agosto de 2011

Amizade

Nunca abri mão de ter amigos, antigos e novos. Sempre gostei de fazer novas amizades e cultivar as "velhas". Acho que a inspiração veio do próprio Cristo que escolheu doze pessoas para serem seus amigos íntimos (Jo 15.17) e estava sempre disponível para quem queria ser seu amigo.

Mesmo quando começaram a surgir os amores da adolescência eu sempre priorizava as relações de amizade. Alias uma coisa estava sempre ligada a outra tanto que eu costumava me apaixonar pelos meus amigos! Hoje sei  que os amigos são verdadeiros amores que carregamos conosco pra sempre. Aprendi que, felizmente não encontramos tudo o que queremos ou precisamos em uma única pessoa (seria uma carga muito grande pra ela!). Somos seres sociais e relacionais. Precisamos estar em contato.

Alguns se fecham, selecionam seu círculo de amizade, por medo, egoismo, sei lá... Estes perdem muito pois tenho aprendido que as diferenças nos enriquecem e nos ajudam a crescer um pouco mais a cada dia. Alguns amigos aos quais eu fui resistente no começo fazem parte essencial da minha historia. Ainda bem que eles insistiram, pois todos eles são um pouco responsável por quem eu sou hoje. Quanto mais "dificil" é o amigo mais tarimbado a gente fica no quesito relacionamento humano.

É obvio que quanto mais nos relacionamos maiores os riscos de decepção, tristezas e perdas; mas também maiores as oportunidades de descobrir a beleza que muitos seres humanos só revelam aos que lhe são íntimos. Vale a pena arriscar, afinal não há como viver a vida sem correr riscos.

21 de agosto de 2011

Resiliência

Gosto muito desta palavra. Seu significado está ligado à capacidade dos corpos retornarem ao seu lugar original. Pode ser traduzida como elasticidade. Trazendo para o campo psicológico, resiliência é a capacidade do ser humano voltar ao lugar original mesmo depois de ser “envergado” pelas situações da vida. Para mim é uma virtude cristã, pois desde cedo aprendemos que “não devemos olhar as circunstâncias” e sim a Cristo. Isso porque determinadas circunstâncias da vida são realmente devastadoras e se nos fixarmos nelas não retornarmos ao lugar de origem jamais.

Aprender a ser resiliente tem a ver com experiências pessoais, mas observar outros exemplos ajuda muito. Quando pensamos em pessoas como Jackeline Kennedy por exemplo entendemos melhor o que esta palavra significa. Um breve resumo de sua história, feito por quem não a conheceu já é suficiente para notar quão resiliente ela foi. Viveu um casamento difícil com um homem que não a respeitava, perdeu dois filhos (um aborto e um natimorto) estava do lado do marido quando ele foi assassinado, casou-se novamente para proteger seus filhos, ficou viúva pela segunda vez, perdeu outro filho num acidente aéreo e por fim foi vitimada pelo câncer. Sua história não é muito fácil mas conseguimos perceber que de alguma forma ela sempre manteve a força para continuar vivendo – isso é resiliência!

Na minha infância e adolescência fui marcada pela leitura dos livros “Poliana e Poliana Moça” no qual a personagem principal cria um jogo chamado o "Jogo do Contente" o qual consistia em procurar algo de bom em qualquer situação para sempre estar contente. Quando a personagem é criança o “jogo” flui de maneira natural, mas quando ela se torna moça as coisas começam a se complicar. É certo que há situações na vida em que não há nenhum motivo para ficar contente e que a tristeza também tem que ser “curtida” pelo ser humano. O que devemos evitar é que esta tristeza nos “envergue” de maneira definitiva nos impedindo de voltarmos ao ponto original para um novo recomeço. Afinal não é assim que a vida segue – de recomeço em recomeço?

14 de agosto de 2011

Perdoar

Perdoar é a terceira atitude proposta por Ed Rene Kivitz para melhorarmos nossos relacionamentos. Ele mostra o lado "B" do perdão, quando o agressor não quer ser perdoado! É uma boa reflexão

Perdoar é dar ao outro a oportunidade de continuar existindo em nossas vidas. Perdoar é colocar o outro diante da chance de avaliar sua maneira de viver e de refazer seus caminhos existenciais. Perdoar é contribuir para que o outro cresça, amadureça, corrija a si mesmo. O momento do perdão é como um parêntese em que as bases de um relacionamento são rediscutidas e os acordos que tornam possível a convivência são renegociados. Alguém perguntaria se é necessário perdoar sempre. Aliás, o apóstolo Pedro perguntou isso a Jesus: "Quantas vezes devemos perdoar?", e recebeu como resposta "setenta vezes sete", que indica o número perfeito de perdão. Mas, nesse mesmo contexto, Jesus contou uma parábola que revolucionou tudo o que sempre me ensinaram a respeito do perdão: a parábola do devedor implacável," na qual um homem que devia quase cento e setenta e quatro toneladas de ouro foi perdoado, mas não perdoou um que lhe devia apenas 30 gramas de ouro. O fim da parábola mostra que o perdão da dívida maior foi cancelado sob a alegação de que aquele que recebeu misericórdia deveria ter sido misericordioso.

Essa parábola ensina pelo menos três coisas imprescindíveis à experiência do perdão. Primeiro, que o credor está disposto a abrir mão da prerrogativa de receber o pagamento da dívida. Isso diz muito a respeito do coração do credor, livre da necessidade de reparação, até porque sabe que a reparação é impossível. Por essa razão, faz a melhor opção. Entre ficar escravo do mix ressentímento–mágoa–ódio–desejo de vingança (às vezes justiça), escolhe a sublime experiência da outorga do perdão. Alguém já disse que guardar ressentimentos equivale a ingerir veneno esperando que aquele que nos ofendeu morra. Nesse sentido, perdoar é drenar o veneno de nosso coração. Perdoar é romper os grilhões da prisão que nos mantêm escravos de um passado inalterável. 


A segunda coisa que a parábola ensina que é o perdão visa a preservação da dignidade de quem foi ofendido. Jesus começa a história dizendo que o credor chamou todos os devedores para um acerto de contas. Sabe por que muitos relacionamentos chegam ao fim? Por falta de eventos sistemáticos de acerto de contas. Uma mágoa hoje, um ressentimento amanhã, uma raiva depois de amanhã, até que, depois de um tempo, existe uma parede quase intransponível entre as partes. Você me pisa hoje, e eu deixo. Você me pisa amanhã, e eu deixo. Então, você me pisa todo dia, e aquilo se torna um padrão de nosso relacionamento. Meu coração vai adoecendo, vou ficando diminuído, e minha dignidade escorre pelo ralo. Acertar contas sistematicamente significa pontuar cada agressão. 


A terceira coisa que podemos aprender com esta parábola é que o perdão visa a trasnsformação do agressor. Ao cancelar o perdão ao homem que não teve misericórdia de seu devedor, Jesus desfaz um mal–entendido a respeito do perdão. Para a maioria das pessoas, o perdão é uma transação que libera da ofensa aquele que ofendeu. Mas quando o perdão é unilateral, e aquele que ofendeu desconsidera o fato de ter ofendido e agride de novo, e de novo, e de novo, então a situação é diferente. A noção de que perdoar setenta vezes sete é perdoar sempre tem duplo significado. Se perdoar setenta vezes sete significa abrir mão da necessidade de reparação e de se recusar a ficar preso à mágoa e ao desejo de vingança, então está correto. Mas se perdoar sempre significa manter relacionamentos a qualquer preço, abrindo mão da dignidade pessoal e mantendo a conduta imprópria do ofensor, então está errado. 


O perdão visa resguardar dignidades, transformar o agressor e restaurar o relacionamento. Por essa razão, o perdão não pode ser outorgado incondicionalmente. Nem mesmo Deus perdoa incondicionalmente. Deus não perdoa todo mundo. A oração do Pai Nosso ensina que Deus nos perdoa na medida do perdão que concedemos aos nossos ofensores. A razão é óbvia: o perdão, em última instância, visa interromper o ciclo de agressão. Um agressor não transformado agredirá novamente. Uma pessoa agredida repetidas vezes será esmagada em sua dignidade. E um agressor contumaz e uma pessoa sem dignidade não fazem um casal, um par de amigos, uma fraternidade.


Vivendo com propósitos, Ed Rene Kivitz

4 de agosto de 2011

Servir

A segunda atitude fundamental em nossos relacionamentos, segundo Ed Rene Kivitz é o serviço. Servir uns aos outros, é tão fundamental que o próprio Jesus deu o exemplo.


A recomendação que mais se encaixa nesse contexto de servir pessoas em seus momentos de crise ou dificuldades é a de suportar uns aos outros com amor. A expressão "suportar" indica "ter paciência com alguém até que termine a provocação", o que se aplica claramente à ideia de que somente conseguiremos nos relacionar com as pessoas a quem estivermos dispostos a lavar os pés – servir. Servir é nada fazer por ambição egoísta nem por vaidade, mas sim humildemente, considerando os outros superiores a nós mesmos. Servir é cuidar não somente dos nossos interesses, mas também dos interesses dos outros. Os inimigos dos relacionamentos duradouros são: ambição egoísta, orgulho, egocentrismo. Ambição egoísta é a atitude daquele que faz tudo motivado por interesses pessoais, segundas intenções, conveniências, o famoso "que não dá ponto sem nó". Orgulho é o exagerado conceito de si próprio, natural daqueles que não se enxergam e que vivem achando defeitos nos outros, ou que se enxergam, mas recusam–se a admitir suas imperfeições e a dar passos em direção às necessárias reparações. Egocêntrica é a atitude de quem precisa estar sempre no centro das atenções para que se sinta à vontade. É o tipo de gente que refere tudo ao próprio eu e que não dá espaço para que ninguém exista ao seu redor, exceto aqueles que estão dispostos a satisfazer seus gostos, a concordar com suas opiniões e a rir de suas piadas.

Uma das mais sublimes expressões de serviço é a disponibilidade para ouvir. Ouvir os discursos, os problemas, as histórias. Ouvir o que se diz com todas as letras e o que se diz por meio de sinais sutis. Ouvir as palavras e a linguagem do corpo. Ouvir com os ouvidos e com os olhos. Por outro lado, creio que uma das mais claras evidências de soberba, de egocentrismo e de egoísmo é a fala ininterrupta, o monólogo perene, que acaba se transformando num solilóquio, pois quem fala apenas a respeito de si e/ou fala sem ouvir acaba mesmo falando sozinho.

Ouvir implica responder. Ouvir implica agir. Provavelmente, o primeiro ato de serviço num relacionamento é ouvir. Quem não ouve age de maneira precipitada, errónea ou invasiva. Finalmente, creio que a mais elevada expressão de serviço que mantém um relacionamento é a disponibilidade ou a iniciativa de fazer o que se sabe que deve ser feito. Nos relacionamentos pessoais mais imediatos, como o conjugal, o familiar e o das amizades, essa é a dimensão mais difícil do serviço, pois trata das tarefas cotidianas, corriqueiras e triviais. Coisas como ajudar a tirar a mesa depois daquele jantar entre amigos, levantar para atender o telefone, desviar–se do caminho para dar uma carona, buscar o resultado do exame no laboratório ou mesmo passar a noite no hospital com o amigo recém–operado. Esses atos de serviço devem ocorrer sem que sejam solicitados. Também não devemos perguntar se o outro deseja ajuda. A resposta geralmente é "não, não precisa se incomodar", ou "não, não quero incomodar você, sei que você é atarefa da".

Em síntese, quem deseja caminhar com a mesma pessoa, pela mesma estrada, por longos anos, precisa saber que em alguns trechos deverá levar seu par no colo, lavar seus pés, servir, sob pena de seguir viagem sozinho, ou com uma pessoa desconhecida ao lado, numa relação de ilusão e auto–engano, cujo fim é a solidão