Pesquisar este blog

4 de agosto de 2011

Servir

A segunda atitude fundamental em nossos relacionamentos, segundo Ed Rene Kivitz é o serviço. Servir uns aos outros, é tão fundamental que o próprio Jesus deu o exemplo.


A recomendação que mais se encaixa nesse contexto de servir pessoas em seus momentos de crise ou dificuldades é a de suportar uns aos outros com amor. A expressão "suportar" indica "ter paciência com alguém até que termine a provocação", o que se aplica claramente à ideia de que somente conseguiremos nos relacionar com as pessoas a quem estivermos dispostos a lavar os pés – servir. Servir é nada fazer por ambição egoísta nem por vaidade, mas sim humildemente, considerando os outros superiores a nós mesmos. Servir é cuidar não somente dos nossos interesses, mas também dos interesses dos outros. Os inimigos dos relacionamentos duradouros são: ambição egoísta, orgulho, egocentrismo. Ambição egoísta é a atitude daquele que faz tudo motivado por interesses pessoais, segundas intenções, conveniências, o famoso "que não dá ponto sem nó". Orgulho é o exagerado conceito de si próprio, natural daqueles que não se enxergam e que vivem achando defeitos nos outros, ou que se enxergam, mas recusam–se a admitir suas imperfeições e a dar passos em direção às necessárias reparações. Egocêntrica é a atitude de quem precisa estar sempre no centro das atenções para que se sinta à vontade. É o tipo de gente que refere tudo ao próprio eu e que não dá espaço para que ninguém exista ao seu redor, exceto aqueles que estão dispostos a satisfazer seus gostos, a concordar com suas opiniões e a rir de suas piadas.

Uma das mais sublimes expressões de serviço é a disponibilidade para ouvir. Ouvir os discursos, os problemas, as histórias. Ouvir o que se diz com todas as letras e o que se diz por meio de sinais sutis. Ouvir as palavras e a linguagem do corpo. Ouvir com os ouvidos e com os olhos. Por outro lado, creio que uma das mais claras evidências de soberba, de egocentrismo e de egoísmo é a fala ininterrupta, o monólogo perene, que acaba se transformando num solilóquio, pois quem fala apenas a respeito de si e/ou fala sem ouvir acaba mesmo falando sozinho.

Ouvir implica responder. Ouvir implica agir. Provavelmente, o primeiro ato de serviço num relacionamento é ouvir. Quem não ouve age de maneira precipitada, errónea ou invasiva. Finalmente, creio que a mais elevada expressão de serviço que mantém um relacionamento é a disponibilidade ou a iniciativa de fazer o que se sabe que deve ser feito. Nos relacionamentos pessoais mais imediatos, como o conjugal, o familiar e o das amizades, essa é a dimensão mais difícil do serviço, pois trata das tarefas cotidianas, corriqueiras e triviais. Coisas como ajudar a tirar a mesa depois daquele jantar entre amigos, levantar para atender o telefone, desviar–se do caminho para dar uma carona, buscar o resultado do exame no laboratório ou mesmo passar a noite no hospital com o amigo recém–operado. Esses atos de serviço devem ocorrer sem que sejam solicitados. Também não devemos perguntar se o outro deseja ajuda. A resposta geralmente é "não, não precisa se incomodar", ou "não, não quero incomodar você, sei que você é atarefa da".

Em síntese, quem deseja caminhar com a mesma pessoa, pela mesma estrada, por longos anos, precisa saber que em alguns trechos deverá levar seu par no colo, lavar seus pés, servir, sob pena de seguir viagem sozinho, ou com uma pessoa desconhecida ao lado, numa relação de ilusão e auto–engano, cujo fim é a solidão

Nenhum comentário:

Postar um comentário