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7 de dezembro de 2012

Segue teu destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.


A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.


Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.


Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.


Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

 
Ricardo Reis, 1-7-1916

19 de novembro de 2012

OS CEGOS E O ELEFANTE



Uma lenda oriental

Era uma vez seis cegos à beira de uma estrada.
Um dia, lá no fundo de sua escuridão, eles ouviram um alvoroço e perguntaram o que era.
Era um elefante passando e a multidão tumultuada atrás dele.
Um elefante?
Os cegos nunca tinham visto nenhum elefante, quiseram ver.
Então o guia parou o animal e os cegos começaram a examiná-lo:
Apalparam, apalparam.
Terminado o exame, lá se foi o guia com o elefante, e a multidão atrás dele.
E os cegos começaram a conversar:
- Puxa! Que animal esquisito! Parece uma coluna coberta de pêlos!
- Você está doido? Coluna que nada! Elefante é um enorme abano, isto sim!
- Qual abano, colega! Você até parece cego! Elefante é quase uma espada que me feriu.
- Nada de espada, nem de abano e nem de coluna. Elefante é uma corda, eu até puxei.
- De jeito nenhum! Elefante é uma enorme serpente que se enrola.
- Mas quanta invencionice! Então eu não vi bem? Elefante é uma grande montanha que se mexe.
E lá ficaram os seis cegos, à beira da estrada, discutindo pedaços do elefante.
Dividindo-se, incapazes de estabelecer um nexo entre os fragmentos e cada um apegado à sua pequena verdade.
O que o elefante era, de fato, escapou a todos eles.

11 de novembro de 2012

O laço

"Meu Deus! Como é engraçado.
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço.
Uma fita dando voltas. Enrosca-se, mas não embola.
Vira, revira, circula e pronto, está dado o laço.
É assim que é o abraço (...)
Ah, então é assim o amor, a amizade, tudo que é sentimento.
Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas não pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço...

Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga então se diz: romperam-se os laços.
Então o amor, a amizade são isso.
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço."
 
Mario Quintana

1 de setembro de 2012

Por que desvendar o próprio eu

"Desvendar a anatomia e a fisiologia do Eu é importantissimo para que possamos ser pais melhores, educadores melhores que formam pensadores, profissionais mais eficientes, pesquisadores mais criativos. Potencializaremos nossas habilidades e teremos mais chance de reciclar nossa história:
 
1. Seremos menos deuses e mais humanos e, como tais mais conscientes de nossas imperfeições e limitações.
 
2. Teremos menos necessidade de evidencia social e mais necessidade de contemplar as pequenas coisas.
 
3. Seremos menos assaltados pela necessidade neurótica de poder e mais abarcados pelo prazer de contribuir com os outros.
 
4. Julgaremos nenos, abraçaremos mais e elogiaremos muito mais.
 
5. Cobraremos meno dos outros  seremos mais tolerantes. Exigiremos menos de nós mesmo sem perder a eficiência e seremos mais românticos conosco.
 
6. Seremos mais flexíveis e menos radicais.
 
7. Enclausurar-nos-emos menos e falaremos mais de nós mesmos e de nossos sonhos sem medo de sermos tachados de loucos, insanos ou débeis.
 
8. Seremos menos vítimas das angustias, fobias e insegurança e mais protetores e promotores do júbilo, da liberdade e do encantos pela vida.
 
9. Seremos mais ousados e menos escravos do medo de errar.
 
10. Andaremos por trajetorias jamais percorridas, teremos mais prazer de nos aventurar.
 
11. Libertaremos mais o imaginario e construiremos mais ideias, seremos mais criativos e proativos. Dançaremos  a valsa da existência com a mente desengessada.
 
12. Pensaremos mais como especie e como humanidade, menos como grupo social e muito menos ainda como individuo.
 
(Augusto Cury, A fascinante construção de eu)

24 de junho de 2012

Crônica do amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a
menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

25 de maio de 2012

PARA QUÊ SERVE UMA RELAÇÃO?

 
Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela,  para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.

Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete,  para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
 
Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo. 
 
Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa. 
 

Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem corpo um do outro quando o cobertor cair. 
 

Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro ao médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.
Drauzio Varella é médico cancerologista, formado pela USP. Nasceu em São Paulo, em 1943.Este seu artigo está sendo divulgado pela internet.

27 de abril de 2012

Trabalho


O trabalho pode ser entendido de duas formas distintas. Se ficarmos com o radical grego ergon, devemos entender o trabalho como a aplicação das forças e faculdades humanas (razão, sentimento, vontade) para alcançar determinado fim.

Observe que você não estará trabalhando plenamente se antes não escolher um fim a ser atingido e se não colocar, nesse trabalho, todas as suas faculdades, do sentir ao fazer. Verdadeiro trabalho não se faz só com as mãos, mas também com a razão e o coração. O trabalho é mais que simples práxis.

Há, também, uma origem para a palavra trabalho, que vem do latim vulgar tripaliare, que significa martirizar com o tripalium (instrumento de tortura). De fato, o trabalho escravo, o trabalho sem objetivo, o trabalho de um homem que não escolheu fazê-lo, tudo isso pode ser uma tortura ou martírio.

Nosso trabalho deve sempre ser ergon, do grego, força viva que transforma a natureza, a sociedade e, principalmente, quem o executa. “Ganharás o pão com o suor do teu rosto”, mas, na verdade, ganharás muito mais que o pão; ganharás dignidade e respeito por ti mesmo.

Estudar, preparar-se, é uma das muitas formas de trabalhar.

11 de abril de 2012

Ética


A ética é o estudo dos juízos que fazemos sobre a conduta humana, do ponto de vista do bem e do mal. Com tais juízos, tomamos consciência do bem ou do mal que resultam das nossas ações em relação a nós mesmos e/ou aos nossos semelhantes.

É incrível como em todos as nossas ações estamos sempre praticando o bem ou o mal. Das ações mais simples, como fumar um cigarro, fazer exercícios físicos, comer ou beber em demasia ou na quantidade adequada, até as atividades mais complexas, como estabelecer uma relação afetiva, exercer uma atividade profissional ou atuar como líder político, estamos sempre fazendo o bem ou mal, para nós ou para os outros.

É preciso ter consciência ética de cada um de nossos atos, buscar a própria felicidade, respeitando a dos outros, ter virtudes, ter moral, eleger o bem como valor a ser perseguido em cada uma de nossas ações.

O indivíduo ético não quer gozo e riqueza à custa da infelicidade dos seus semelhantes. Toda conquista humana sem ética tem o gosto amargo da ausência de mérito, do vazio de um mundo sem valores, construído com tijolos da mentira, da pequenez, do desamor e da miséria.

Ser ético é a condição sem a qual ninguém pode alcançar a grandeza, o saber, o progresso e, principalmente, a felicidade. Talvez o mais antigo e importante preceito ético seja “amar o próximo como a si mesmo”.

Assim como o progresso e a qualidade de vida de um país têm estreita relação com o padrão ético dos seus governantes, sua felicidade pessoal tem íntima relação com a sua conduta ética. Você é o governante maior da sua vida.

 Fonte: Editora Positivo

4 de abril de 2012

Saber


Saber vem do latim sapere, ter gosto e, originalmente, seu significado estava ligado ao paladar. O significado do saber se ampliou e já não basta apenas o paladar para se saber sobre as ciências, as emoções e a vida. É preciso colocar-se por inteiro na busca do saber, de corpo e alma.

O saber é o sal do espírito, o gozo da alma, a consciência que o homem tem do mundo que o cerca e das diversas teorias criadas para explicar os mistérios que nos envolvem. O saber é a luz que nos permite enxergar a estrada. O homem cria o saber, e este transforma o homem, propondo-lhe novos desafios.

Em sua vida, você tem duas escolhas com relação ao saber. A primeira é apaixonar-se por ele, ser capaz de conviver com suas dúvidas pessoais e fazer sempre mais perguntas. Se for essa sua escolha, você viverá as alegrias e os conflitos da eterna busca, mas será um ser com luz própria, capaz de mostrar novos caminhos. Sua segunda escolha é ter uma fraca relação com algum saber. Nesse caso, você deverá se conformar em caminhar sem rumo ou seguir a trilha que alguém, eventualmente, lhe indicar. Em uma nação onde todos cultivam o saber, não existe pobreza. O saber leva ao progresso, à paz e à felicidade.

Fonte: Editora Positivo

7 de março de 2012

Saudade


Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
 

29 de fevereiro de 2012

Morrer vivendo


As flores, as árvores, os animais, os homens e mesmo as estrelas nascem, vivem e morrem.

Apenas nós, os homens, deixamo- nos atormentar por este mar misterioso onde desaguam todos os rios da vida.

Dois mil anos atrás, Lucio Aneu Sêneca nos ensinou:

“Deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que tu talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer”.

Aprender a viver e a morrer, essa é a grande missão que cada homem deve ser capaz de cumprir, na mais profunda solidão, exatamente naquela solidão insuperável que nos torna únicos.

Vida e morte, dentro de cada um de nós. Todo o tempo, nascem e morrem ilusões, sentimentos, descobertas, crenças, agonias... Impossível vida interior, sem morte interior.

Viver é morrer. Morrer, todos os dias um pouco, é viver. Esta infindável sucessão dialética de morte e vida, sempre presente, dentro de nós, alarga nossa compreensão da vida e de seu fim.

Aquele que não se desencanta é porque nunca se encantou. O conhecido morre diante do desconhecido. O canto dos pássaros mata o silêncio. O saber é a morte da ignorância. Impossível viver a magia sem deixar de viver o real.

Sem paixão, sem vontade, para que serve a razão? Nossos desequilíbrios são sempre provocados pela morte temporária de uma dessas três senhoras.

A noite, o sono e o descanso são uma espécie de morte diária, assim como o dia e o despertar anunciam o fim do repouso.

Alguém já disse: “ Não se vive sem respirar, mas não se vive apenas para respirar”.

Viver como as plantas ou os animais é pouco.

O humano é exatamente aquilo que escapa das leis da Física, da Química, da Biologia e mesmo da Economia. O humano é a consciência do universo que nasce, cresce, vive e ao silêncio do mistério retorna.

É triste o espetáculo encenado pelos mortos vivos (zumbis ?), incapazes de sonhar e dar vida ao humano por medo da morte.

Não sabem os tolos, que imaginam se preservar, que é impossível a vida sem a morte, que o medo em excesso impossibilita o pleno viver.

Unir o sentir, o pensar e o fazer. Amar as grandes perguntas é grande prazer para o homem humano, mas constitui-se em verdadeiro tormento para os homens zumbis.

Burocratas do impossível de ser normatizado, oportunistas sem ideal. Respiram para viver e tristemente vivem para respirar.

João Guimarães Rosa descreve muito bem o homem de alma pequena:

“ Ali tinha carrapato...que é que chupavam, para seu miudinho viver?”.

Fernando Pessoa mostra o caminho para a autoconstrução do humano:

“Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu”.

Morte ou vida, em vida! Opção de cada um?

Para os que ousam escalar a montanha, o horizonte é o prêmio. Do alto se pode ver mais longe, observar a planície, respirar o ar puro, aceitar e compreender todas as mortes que suportam a vida e, finalmente, morrer com um sorriso nos lábios. Haverá prêmio maior?

Oriovisto Guimarães

25 de fevereiro de 2012

Recomeçar...

Recomeçar (Volver A Comenzar)

Compositor: Noel Molina

Despertar, sob a luz de um novo dia e renovar
Encontrando nova força para amar 
Em tempos difíceis 

Descobrir 
Sem querer o quanto é frágil 
Decidir 
Escolhendo cada passo onde ir 
Num futuro incerto 

Não é fácil, prosseguir apagando da memória 
Tudo aquilo que fez a nossa história 
Nossa vida de novo começar 

Eu canto ao vento 
Que beija os meus cabelos num alento 
Eu canto ao mar 
Que apaga os meus sentidos, e me faz 
Recomeçar 

Decidi avançar o meu caminho 
Sem deixar 
Que o passado, o destino, possam destruir 
Uma vida honesta 

Revirar 
Alegrias e lamentos 
Entender, que só mesmo o próprio tempo 
Nos dará, todas as respostas 

Não é fácil, prosseguir apagando da memória 
Tudo aquilo que fez a nossa história 
Nossa vida de novo começar