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19 de novembro de 2012

OS CEGOS E O ELEFANTE



Uma lenda oriental

Era uma vez seis cegos à beira de uma estrada.
Um dia, lá no fundo de sua escuridão, eles ouviram um alvoroço e perguntaram o que era.
Era um elefante passando e a multidão tumultuada atrás dele.
Um elefante?
Os cegos nunca tinham visto nenhum elefante, quiseram ver.
Então o guia parou o animal e os cegos começaram a examiná-lo:
Apalparam, apalparam.
Terminado o exame, lá se foi o guia com o elefante, e a multidão atrás dele.
E os cegos começaram a conversar:
- Puxa! Que animal esquisito! Parece uma coluna coberta de pêlos!
- Você está doido? Coluna que nada! Elefante é um enorme abano, isto sim!
- Qual abano, colega! Você até parece cego! Elefante é quase uma espada que me feriu.
- Nada de espada, nem de abano e nem de coluna. Elefante é uma corda, eu até puxei.
- De jeito nenhum! Elefante é uma enorme serpente que se enrola.
- Mas quanta invencionice! Então eu não vi bem? Elefante é uma grande montanha que se mexe.
E lá ficaram os seis cegos, à beira da estrada, discutindo pedaços do elefante.
Dividindo-se, incapazes de estabelecer um nexo entre os fragmentos e cada um apegado à sua pequena verdade.
O que o elefante era, de fato, escapou a todos eles.

11 de novembro de 2012

O laço

"Meu Deus! Como é engraçado.
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço.
Uma fita dando voltas. Enrosca-se, mas não embola.
Vira, revira, circula e pronto, está dado o laço.
É assim que é o abraço (...)
Ah, então é assim o amor, a amizade, tudo que é sentimento.
Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas não pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço...

Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga então se diz: romperam-se os laços.
Então o amor, a amizade são isso.
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço."
 
Mario Quintana